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CORONAVÍRUS: A SAÚDE MENTAL NO ISOLAMENTO


Psiquiatra, professora da Faseh, alerta para as doenças psíquicas que estão surgindo, em tempo de isolamento social, devido à pandemia de Covid-19 e por causa do medo de contágio e da morte

 

Professora da Faseh alerta para saúde mental na pandemia
A Psiquiatra e professora da Faseh, Dra. Fernanda Medina

 

Um outro aspecto da crise mundial, com a pandemia do Covid-19 que já infectou centenas de milhares de pessoas e matou dezenas de milhares no mundo, é o da saúde mental das pessoas diante de uma ameça como esta. A psiquiatra e professora da Faseh, Dra. Fernanda Medina, alerta para as doenças psíquicas que surgem, neste tempo de isolamento social e por causa do medo de contágio e da morte.

Segundo ela, o aspecto epidemiológico, que é o lado objetivo e mais falado desta pandemia, das formas de contágio, números de infectados e mortos, é o que mobiliza os recursos e as informações. Porém, a doutora ressalta o outro aspecto subjetivo, mas também muito importante e que impacta a saúde como um todo, que é o psíquico. A psiquiatra relata o crescimento de pessoas angustiadas e adoecidas, por terem que lidar de forma abrupta com esta situação para a qual não estavam preparadas.

Mente sã em corpo são

A Dra. Fernanda faz uma analogia entre estes dois aspectos: “Assim como o nosso sistema imunológico não tinha anticorpos, contra este novo vírus, a nossa mente, nosso aparelho psíquico, também não tinha defesa contra esta nova ameça.” Ela esclarece que algumas pessoas desenvolvem este mecanismo de defesa, contra as adversidades da vida, com mais facilidade. Porém, outras precisam de mais tempo para que seu ego possa se reestruturar para lidar com uma nova realidade, neste caso tão ameaçadora.

 

“O que está em questão, o que esta pandemia revela, joga na nossa cara, é uma ameaça à nossa integridade física e psíquica. O que estas situações de crise, de ameaça, revelam é uma extrema fragilidade humana, uma impotência diante da morte, do fim de todos. “

 

A professora Fernanda Medina aponta que algumas pessoas podem desenvolver sintomas depressivos, com tristeza profunda, desânimo, isolamento, abandono de atividades antes prazerosas. Outras podem manifestar isso com ansiedade, insônia, reações de pânico, como palpitação, falta de ar que pode, até, levar a pensar que está com sintomas da contaminação pelo vírus. Tem ainda aquelas que se tornam irritadas, agressivas. 

 

 

“Tudo isso, pode indicar uma condição que nós, na psiquiatria, chamamos de reação aguda ao estresse, como o chamado estresse pós-traumático, que é uma doença reconhecida na medicina. Para o nosso inconsciente, trata-se de uma guerra. O que está em questão, é a possibilidade real da morte. Ainda que esta ameaça não esteja próxima, para quem não é do grupo de risco, ou que esteja muito bem protegido em casa.”

A médica ressalta que é importante que as pessoas sejam capazes de identificar estes sinais de adoecimento psíquico. Segundo ela, é mais fácil perceber no outro, do que em si mesmo.

 

“Então, é bom estar atento às pessoas de que eu gosto, que estão próximas de mim, para que eu possa perceber quando alguém está adoecendo. Não é frescura! É importante que as pessoas possam falar disso, com franqueza, possam conversar, possam cuidar um do outro, e, se possível, conversar com um profissional. Mas só o fato de ser ouvido, por alguém que tenha boa vontade de ouvir e sem julgamento, já alivia muito estes sintomas de angústia”.

 

Dra Fernanda completa dizendo que poucas pessoas precisam ser medicadas, já que a reação aguda ao estresse passa, é transitória. O profissional de saúde vai avaliar a necessidade, mas deve evitar medicar. E a pessoa se automedicar, nunca. 

 

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