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CORONAVÍRUS: SAÚDE MENTAL NO ISOLAMENTO


Psicólogo, psicanalista e professor da Faseh fala sobre os dilemas que enfrentamos, neste momento de ameaça à vida e isolamento social para tentar preservá-la

 

 

Como devemos encarar o que estamos vivendo, com esta pandemia do coronavírus Covid-19? Que escolhas temos em um cenário de restrição da mobilidade, de separação de pessoas com quem convivemos ou de confinamento com outras com quem teremos que passar este tempo em espaço reduzido? E o que fazer para manter a sanidade mental e não sucumbir à angústia, à ansiedade e ao medo? São as questões que o psicólogo, psicanalista e professor da Faseh, Miguel Figueiredo Antunes, aborda neste vídeo depoimento.

O professor fala sobre os dilemas que enfrentamos, neste momento de ameaça à vida e isolamento social para tentar preservá-la e cita Freud em “Reflexões para os tempos de guerra e de morte”.

“Sem vislumbre do futuro que já está a se configurar” – Sigmund Freud

 

Os profissionais da saúde mental são unânimes em dizer que a situação que vivemos é como a experiência de uma guerra. A maioria das pessoas vive este momento de isolamento social, distanciamento dos outros, numa quarentena forçada, e nem todos estão preparados psicologicamente para isto. Aos alunos da Faseh, os professores como Miguel e os médicos psiquiatras que integram o NPAP têm mantido os atendimentos online. 

“Somos todos mortais. É, de entrada, o que este vírus nos coloca. Precisamos esperar, um pouco, com paciência, o que a ciência nos vai apresentar como resposta, ressalta o psicólogo, citando também um profissional de destaque da área de pesquisa dos vírus:

 

“O mundo em que vivemos, até a virada do ano, já não existe mais. Vivemos em um novo mundo” – Átila Lamarino, virologista

 

 

Miguel Antunes, fala sobre como as perturbações deste momento agem sobre nossa mente. “Subjetivamente, somos jogados ao desamparo, que sempre tentamos evitar. Mesmo os que estão trabalhando, há algo do desemparo que habita em cada um. Experimentaremos várias sensações: afetos, angústia, ódio, amor, esperança, desesperança, loucura…  Até que algum ordenamento nos seja dado.

Valorização da ciência

Para o psicanalista, este ordenamento só pode vir do campo da ciência e da civilização. “Por enquanto, o não saber sobre isso impera. E, paralelamente, ou na contramão, em conflito com isso, há um excesso de informação. Primeira coisa a se fazer é se informar, via ciência. É isto que vai nos orientar. A ciência vai frear esta pulsão de morte que nos habita e nos balizar um pouco mais. É fundamental dar lugar à ciência, mais do que em qualquer outro momento. Em breve, espero que alguma solução, para frear este vírus, apareça. Algumas coisas estão aparecendo, mas é preciso calma, não precipitar.”

Miguel diz que “estamos no momento de compreender, para concluir depois. Estamos no momento de não nos deixarmos cair na barbárie. Li uma anedota dizendo sobre o problema, a desgraça do homem que vem de ele não ser capaz de ficar sozinho, em sua poltrona, dentro de casa. É algo que tem acontecido, de alguma maneira, com todos nós.”

 

NPAP e MedicinaP
Professores do NPAP em reunião com alunos da Medicina na Faseh

 

Como manter a saúde mental, neste momento? Como manter um laço social saudável, neste momento? O professor destaca as atitudes positivas que têm unido as pessoas, mesmo em momento de separação física. ” Na Itália, temos visto as cantorias nas janelas, no Brasil e no mundo, os aplausos para os profissionais de saúde que estão mostrando uma decisão, uma força de trabalho impressionante. Temos os panelaços contra ou a favor do atual governo no Brasil. Cada um vai tentar encontrar um modo para que seu singular caiba no coletivo. Para que não fiquemos numa posição de individualismo sinistro, que pouco ajudaria no coletivo, à civilização e a si mesmo. é importante cuidado, permanecer com seus afetos, com as pessoas do seu círculo social, passear com seu cachorro, interagir pela janela, fazer chamadas de vídeo, qualquer coisa que torne este insuportável – do não saber na quarentena ou um possível aperto financeiro que possa vir – em algo suportável.”

“O que me parece fundamental, neste momento, é uma aposta em direção à vida e não se jogar nesta incerteza que seria anti-civilizatória”

 

 

 

 

 

 

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